O agronegócio precisará aumentar consideravelmente a produção nos próximos anos para lidar com o crescimento populacional. Para Hugh Grant, um dos empresários mais importantes do agronegócio global, a grande pergunta a ser respondida é como dobrar a produção de alimentos no mundo no médio ao longo prazo mantendo o espaço limitado disponível para agricultura. “Acredito que o futuro é brilhante, sou um otimista”, afirma. “A ciência dos dados vai mudar a agricultura nos próximos 20 anos do mesmo modo que a biotecnologia mudou o setor nos últimos 20 anos”, complementa o CEO da Monsanto.

Grant acrescenta que as decisões dos produtores serão cada vez mais direcionadas via gestão de dados. “Isso nos permitirá usar menos produtos químicos e com mais precisão, antes que doenças e insetos se tornem um problema”, afirma. No entanto, o CEO da Monsanto alerta que é preciso acelerar o ritmo de inovação no setor.

Em palestra no GAF Talks, evento organizado pela DATAGRO, o empresário chama atenção para o fato de que o setor não tem se transformado rápido o suficiente para acompanhar as mudanças. “A pesquisa hoje é muito fragmentada e muito pouco financiada, nós não gastamos muito para resolver os problemas do futuro.”

Para Grant, apesar dos avanços nos últimos anos, o setor ainda demanda novos produtos e que eles sejam cada vez mais integrados. “Nós precisamos entender como produzir mais com menos água, menos fertilizantes, menos produtos químicos”, diz, embora demonstre otimismo de que a comunidade agrícola conseguirá alcançar esses objetivos.

Parte da solução passa pelo esforço colaborativo entre as diferentes empresas e representantes do setor, acrescenta Grant, incluindo entidades como a Embrapa. A própria Monsanto criou uma iniciativa chamada The Climate Corporation, em que reuniu informações públicas, privadas e dos produtores. A rede criada pela companhia conta com 640 laboratórios conectados.

O braço da Monsanto também está se preparando para lançar um programa envolvendo a ciência de dados no Brasil no próximo ano, reforçando a ideia de ampliar seu escopo de atuação, que hoje em dia é focado no desenvolvimento de sementes transgênicas. A ideia é coletar dados de campo para soja e milho com agricultores de diferentes estados do Brasil e oferecer soluções integradas para incrementar a eficiência e a sustentabilidade. “O beta testing é muito encorajador”, afirmou, sem oferecer mais detalhes.

Alan Jorge Bojanic, representante do Brasil na FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), compartilha da importância do uso de dados para o setor. “Não podemos falar de agricultura de precisão sem falar de Big Data”, disse, também em palestra no GAF Talks.

Os cálculos da FAO mostram que será preciso produzir 70% mais alimentos até 2050, com a maior parte desse avanço proveniente de ganhos de produtividade. “O Big Data está sendo implementado aos poucos na agricultura, o importante é que ele não só vincula informação ao produtor como também mostra o que está acontecendo no mercado, como os consumidores e os produtores estão se comportando”, afirma.

Algumas iniciativas estão sendo implementadas no setor, como o uso de robôs, drones, mapeamento das áreas plantadas e sensores remotos, este usado há mais tempo, inclusive pela FAO, para estimar safras e projetar a produção futura. “O essencial para o Big Data é a colaboração para complementar a informação que você não tem, a troca de informação entre os distintos atores é fundamental”, complementa Bojanic.

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